O Senhor Cardano não sabia que seu destino fora traçado antes do seu indesejável nascer. Ingressou na família como um intruso, não como um convidado: “Chegou bonitinho como todos os recém-nascidos, mas nem nesse momento em que as emoções tomam conta dos parentes foi alvo de carícias, palavras e gestos habituais nessa ocasião”. Ignorou as regras do bem nascer: fruto do pecado de sua mãe, foi visto com desconfiança pela família, pela vizinhança e pelo pároco. Ainda na infância, observaram que o “mau passo” da mãe punira todos eles com um menino indesejado. Não havia dúvida: a mão de Deus se abatera de forma dura sobre todo o bairro. Na adolescência, ao perceber que era diferente, Cardano se escondia dele mesmo, buscando ser o que não era. Fantasmas do inconsciente alertavam sobre os perigos que corria, mas as tentações apareciam, muito lutou contra elas, por fim, se entregou a todas e teve o destino preconizado por sua avó desde sua juventude: “Ou mudas ou terás morte infame”. O Sr. Card