Em relação ao comando naval em Atenas, compreendido como o exercício da trierarchia – magistratura e instituição ateniense –, somos remetidos a realizar uma análise de longa duração utilizando-nos das faces da memória. A partir dessa perspectiva, a obra Argonautika, de Apolônio de Rodes, escrita no século III a.C., mostra-se pertinente para a análise das tradições que envolvem o comando naval e as articulações de grupos aristocráticos de Atenas em oposição aos grupos oligarcas atenienses no início do século IV a.C. Se apropriando dos preceitos teóricos de Norbert Elias, presentes na obra A profissão naval, foi possível analisar o cenário de disputas políticas e esforços contra as intervenções pró-esparta na Ática e regiões adjacentes. Desse modo tornou-se possível discorrer sobre a política social e geopolítica ateniense ao início do século IV a.C., sem deixar de mencionar alguns eventos: derrota para Esparta na Guerra do Peloponeso, a Guerra de Corinto e a criação da Segunda Liga em 3