[...] o que torna este livro verdadeiramente original é abordar a "autonomia disjuntiva" da Fundação Rockefeller em relação ao Departamento de Estado norte-americano. Ricardo desvela uma faceta da diplomacia científica: o uso do financiamento como ferramenta de soft power para neutralizar a influência comunista. No entanto, o texto foge do maniqueísmo ao mostrar como a Rockefeller, em nome da excelência técnica, soube ser flexível. O pragmatismo de agentes como Harry Miller Jr. e Robert Watson muitas vezes silenciou diante das inclinações políticas de figuras centrais como Zeferino Vaz e a família Tito de Morais, desde que estes se mostrassem "missionários da ciência" capazes de liderar a modernização desejada.
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Este livro, portanto, não é apenas uma história das instituições médicas. É um exame sobre como a ciência é gestada no cruzamento entre a necessidade de recursos, o prestígio acadêmico e as tensões da Guerra Fria. Ricardo dos Santos Batista nos oferece uma lente poderosa